SINAIS DE TRÂNSITO. Regras a seguir, ou apenas decorativos urbanos?

07/01/2019 13:13

Não sei dizer quantas foram as vezes que me mandaram para lugares inapropriados e nem mesmo sei, quantas vezes me intitularam com os mais diversos e absurdos substantivos e adjetivos.

Além dos nomes e lugares, uma quantidade enorme de gestos e caras retorcidas, como aquelas faces monstruosamente alteradas em busca de uma juventude plástica, já me foram apresentadas.

Tudo  pelo  simples  fato  de  que:  eu  me  proponho  a  respeitar  os  sinais  de trânsito.

Ora, afinal de contas, por qual motivo investe-se, anualmente, valores astronômicos, em sinalizações nas vias urbanas, rurais, intermunicipais, interestaduais e federais?

Entristece-me saber que o investimento poderia ser menor, assim como o número de acidentes e óbitos, no que se refere ao trânsito.

Bastaria que todos os motoristas, primeiramente, aprendessem a ler, sendo que depois deveriam, apenas, respeitar as regras identificadas nos diversos sinais de trânsito.

No meu entender, uma placa que apresenta um determinado numeral, seguido de Km/h, dentro de uma circunferência vermelha, significa que: aquela é a velocidade máxima permitida naquela via. Acredito que esta é a intenção, não só do legislador, mas de todos os peritos que trabalham na engenharia de trânsito.

No pequeno estudo que fiz, pude identificar que esta determinação de velocidade, não é uma mera vontade subjetiva do profissional envolvido. Depende de vários critérios, dentre eles a segurança no trânsito.

 

Isso mesmo: NO TRÂNSITO, e não DO TRÂNSITO.

 

Talvez o maior problema seja o semi analfabetismo que impera nos seres humanos. Quando digo semi analfabetismos, não me refiro apenas na possibilidade de identificação das letras e suas sonoridades, mas no que realmente representam em seus significados e contextos que abordam.

As velocidades determinadas para as vias, dependem de:

- a classificação das vias, em coletoras, arteriais, locais, de trânsito rápido, enfim;

- a visibilidade do motorista nessas vias;

- adensamento demográfico;

- tipos de veículos;

- fluxo em horários de pico;

 

Enfim, uma série de informações que darão as diretrizes e critérios para determinar uma velocidade segura, não só para o motorista, mas, principalmente, para o pedestre que está numa situação de maior fragilidade.

 

Maior fragilidade?

 

Sim.  Maior  fragilidade! 

 

Imagine  um  veículo  desgovernado  subindo  numa calçada?!?! 

Imagine  um  veículo  em  alta  velocidade  precisando  de  uma frenagem  brusca?!?! 

Imagine  um  transeunte  que  por  um  momento,  qualquer que seja o motivo; fica desatento ao atravessar uma via?!?! Não preciso nem mencionar a desproporcionalidade de um choque entre um veículo  e um ser humano?

 

Ora! Quem mandou estar desatento? Tem que morrer.

 

Será?

Situações podem ocorrer no trânsito o tempo todo, colocando em risco a vida das pessoas.

Neste  momento,  o  Estado  tem  que  achar  formas  de  tentar  minimizar  a consequência de um acidente.

O Estado gera normas para utilização das vias, sendo que uma delas  é  a  limitação  da  velocidade  aos  veículos.  Normalmente  uma  via  de trânsito  rápido:  é  uma  grande  avenida,  com  ampla  visibilidade, proporcionando ao motorista um maior campo de visão, aumentando a atenção sobre o movimento dos veículos e dos pedestres. Nestas vias a velocidade é maior, uma vez que se entende que pela ampla visibilidade, o motorista terá um maior tempo de ação, tentando evitar um acidente.

 

Hipoteticamente: imaginemos um transeunte desatento adentrando uma via de trânsito rápido para atravessá-la. Pela maior visibilidade, o motorista  terá  condições  de  ver  a  cena  e  frear  o  carro,  mesmo  numa velocidade maior, pois a velocidade máxima, da via, é calculada, também, com base no tempo e espaço que o veículo leva para cessar seu movimento desde o acionamento do freio.

 

Por outro lado, numa via local, normalmente a visibilidade é muito menor. Estas  vias  são  mais  antigas, estreitas  e  se localizam em  bairros  onde  as  esquinas  imperam, impedindo grande visibilidade nos cruzamentos. Imaginemos uma criança saindo, desatenta, de uma esquina e cruzando a via. O tempo e espaço de frenagem, para o veículo, será bem inferior, sendo que a velocidade em que se encontra o veículo será crucial para determinar este tempo e espaço. Se o veículo  estiver  numa  velocidade  muito  alta,  com  certeza  não  conseguira impedir o atropelamento.

 

As placas, quando apresentam as velocidades, estão demonstrando o resultado destes estudos, além de outros que fogem ao meu conhecimento. A velocidade não é determinada para atrasar o motorista. O motorista é que se atrasa, por não se programar, ou por qualquer intempérie que não vê como uma possibilidade de acontecimento natural. Infelizmente situações fogem ao nosso controle, por isso devemos nos programar com antecedência para as nossas obrigações diárias. Não podemos acreditar que o fluxo no trânsito será perfeito e constante todos os dias. Em sendo assim, não podemos agredir os motoristas que respeitam os sinais de trânsito. O seu atraso, ou desespero por velocidade, não pode ser motivo para o desrespeito, tanto para com o trânsito quanto para com os motoristas que respeitam o trânsito.

 

PLACAS E SINAIS DE TRÂNSITO NÃO SÃO ENFEITES DE NATAL.

 

Um dos grandes problemas no trânsito é devido ao fato de que convivemos com deuses dirigindo seus carros e impondo sua onisciência. Eternos sabedores e ditadores da verdade e do que é correto, desrespeitando profissionais do trânsito e todo o convívio social.

 

Se todos respeitassem os sinais de trânsito, as ruas seriam mais seguras e pacíficas. Infelizmente para o convívio em sociedade, sacrifícios são necessários, sendo que o único sacrifício exigido, pelos sinais de trânsito, é o RESPEITO.

 

Infelizmente, nossa sociedade funciona na base do medo e não do respeito. O medo de ser multado é que faz o motorista, naquele momento, seguir a velocidade imposta, mas este medo necessita de um gasto exacerbado de orçamento do Estado.

 

RADARES.

 

Por qual motivo é necessário colocar radares nas vias?

Pelo fato do motorista, bem como do transeunte, serem desonestos e corruptos.

Quando digo corrupto, falo da etmologia da palavra.

 

Corrupção é deterioração, ou seja, os valores estão deteriorados.

A placa de nada me serve, pois ela não atinge interesses subjetivos. Já o radar atinge o bem mais precioso: o valor monetário. Através da multa.

Então eu, motorista, reduzo a velocidade, dentro do alcance do radar, depois... FUUUIII.

 

Quanto se gasta na colocação e manutenção dos radares?

 

Impostos, impostos e impostos, que poderiam ser empregados em necessidades básicas, ao invés de tentar suprir a desonestidade humana, ao não cumprir uma regra.

 

Estas ações anômicas dos humanos, infelizmente, sobrepujam toda possibilidade de respeito nas relações sociais.

Neste momento é que percebo que o ser humano não é um ser social, mas fortalece a ideia de um ser altamente egoísta, onde a sociedade só serve para saciar seus desejos. A sociedade e sua estrutura tem que ser edificada na busca do desejo individual, mas nunca, o ser humano, deve estar predisposto a contribuir e sacrificar parte de seus desejos para a construção de uma sociedade justa.

 

Ele apenas espera e cobra, mas nada faz para contribuir.

 

Desta forma percebo, no dia a dia, a mobilidade urbana. Pessoas indo e vindo, em seus veículos, ou a pé, sem qualquer comprometimento com os sinais de trânsito que IMPLORAM pela segurança da própria vida de quem se coloca em risco.

 

A agressividade verbal é latente.

 

Infelizmente, por questão de decoro, não posso transcrever as frases que chegam aos meus ouvidos, enquanto dirijo, meu carro, respeitando os sinais.

 

Enquanto o ser humano não tiver a percepção da importância da educação e do respeito social, os sinais de trânsito serão apenas apetrechos decorativas.

 

No ano de 2017, 3% do PIB nacional foi gasto devido aos acidentes de trânsito, sendo que os pontos principais foram: alcoolismo, alta velocidade e desrespeito generalizado aos sinais.

Importante salientar, novamente, que não é só o motorista e o seu horário que estão em questão, mas também, todos os outros veículos e pessoas que diariamente estão no trânsito e que podem ser vítimas da imprudência.

A placa, com a velocidade específica, não significa que aquela é a velocidade mínima, gerando a possibilidade de buzinar, dar luz alta ou xingar quem se encontre à sua frente, principalmente quando este está respeitando as regras impostas aos usuários das vias públicas.

 

A placa informa a velocidade máxima.

 

Ora, se o veículo que estiver na sua frente desloca-se na velocidade máxima, não há justificativa para ultrapassá-lo e nem para querer que ele aumente a velocidade de seu veículo.  E se assim o fizer, estará desrespeitando o trânsito.

 

RESPEITO, RESPEITO E RESPEITO.

 

Esta é a palavra de ordem para quem pleiteia uma sociedade justa e honesta.

Como pode uma pessoa, que nem mesmo respeita um sinal de trânsito, exigir honestidade a um político. O político desonesto não é a causa, mas sim a consequência de uma sociedade desonesta. O político não nasce na Câmara dos vereadores, dos deputados, no senado ou no poder executivo. O político é um indivíduo que nasceu se fez dentro da sociedade, carregando consigo os valores sociais para representá-los.

 

Para finalizar, o que eu queria entender é: qual a real função do sinal amarelo do semáforo?

 

ATENÇÃO PARE ou ACELERE QUE DÁ TEMPO?

 

E ASSIM TROPEÇA A HUMANIDADE.

 

Calvino.

Professor universitário, cientista jurídico, advogado, músico, microempresário e produtor cultural.