A descoberta do TDAH: primeiras constatações pragmáticas de um acometido.

04/03/2021 12:05

Texto por: Primavera

 

No início de 2021, em meio à pandemia de Covid-19, decidi realizar, após 8 anos, uma nova consulta com a psiquiatra. Os motivos eram muitos, mas, estavam mais evidentes devido as muitas limitações trazidas pelo cenário contemporâneo.

Lá estava eu, em uma manhã, sentado na fila de espera para ser atendido, e já muito arrependido sem explicação. Mas, já estava lá, então, não voltaria para casa.

Ao sentar-me, me deparei com N perguntas e, na medida em que eu as respondia, eu também me escutava.

O que estava acontecendo? Por que eu estou dizendo que eu chego atrasado em algumas situações, que tenho um certo problema com procrastinação, que o meu aprendizado depende de um esforço descomunal e me custa muito tempo, que eu esqueço com muita frequência onde coloquei meu celular, que me esqueço do que eu vou fazer?

 

Aliás, o que eu estava dizendo?

 

Ah sim, o TDAH. Se existe uma onomatopeia mais adequada para este momento é o “booom” das explosões em quadrinhos. Assim estava o meu cérebro esquecido, reverberando: “Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. DDA. TDAH. TDAH. TDAH. TDAH”. Disso, eu não consegui me esquecer ao longo da semana.

E o mais estranho foi perceber que durante toda minha vida eu vivi com isso, mas nunca tive um diagnóstico adequado. E se eu tivesse sido tratado desde criança? E se minha família tivesse notado, de quantas surras eu teria escapado? E se eu soubesse antes e tivesse gastado menos tempo tentando entender por que preciso me esforçar o dobro para aprender tudo? Então quer dizer que eu sempre fui “tagarela” por que me sentia hiperativo demais para não falar tudo o que queria? Isso é uma patologia? Como assim?

Como você pode perceber, tem apenas um mês que me descobri acometido com Transtorno de Déficit de Atenção, e se a novidade do tempo ainda não me fez entender, talvez seja por conta do TDAH ou talvez porque eu o quero negar.